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Trabalho apresentado pela Dra. Cristina para
ascensão a membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Mistura
de todas as outras formas de tratamento do abdome.
Consiste em
lipoaspiração do abdome com descolamento de pele e gordura da região pubiana
até acima do umbigo, promovendo uma plicatura dos músculos retos e retirada de
um fuso de pele na região pubiana.
Isto deixa uma cicatriz bem menor do que
a clássica de abdome e promovendo um rebaixamento do umbigo ( inclusive tratando hérnias umbilicais
ocasionais).
Além da vantagem óbvia de menor cicatriz, é possível um melhor
tratamento da gordura do abdome e adjacências através da lipoaspiração, assim
como melhor posicionamento e melhorando a aparência do umbigo, sem no entanto
colocar aquela desagradável cicatriz externa.
A recuperação é bem mais fácil. É
imprescindível, no entanto, respeitarmos as indicações precisas para esta
técnica.
Assim, a indicação clássica seriam os casos onde há indicação de lipoaspiração,
pouca flacidez do umbigo para cima , média flacidez do umbigo para baixo e
flacidez da musculatura abdominal.
Outro
ponto limitante dessa cirurgia é quando a paciente deseja o abdome o mais
esticado possível, ou seja, retirar o máximo de flacidez possível. Neste caso
seria melhor optar por uma Abdominoplastia Clássica ou Lipoabdominoplastia
Saldanha.
O
tempo de convalescença é metade do convencional a não ser em casos de moderadas,ou
grandes hérnias umbilicais.
Cicatrizes: as cicatrizes são posicionadas na região inferior do
abdome, no local da cesariana, sendo um pouco maiores que esta (não há cicatriz
dentro na borda externa do umbigo). Com o passar do tempo as cicatrizes
sofrerão um amadurecimento , como quaisquer outras cicatrizes. Isto
implica em uma transformação progressiva até que se obtenha o aspecto
final. As principais fases de amadurecimento são:
- 0 a 30 dias: as cicatrizes se apresentam com
bom aspecto, como um fino corte, de coloração parecida com a pele ao redor.
Podem surgir pequenas reações a pontos que melhorarão com o tempo.
- 30 dias a 4 – 6 meses: é a fase onde a
cicatriz se apresenta com pior aspecto, geralmente trazendo ansiedade a quem
estiver menos avisado. A cicatriz fica rósea e mais aparente e este aspecto só
melhora com o tempo. Nesta fase as massagens na cicatriz são um ótimo auxílio e
estarão sempre indicadas. Isto não deve ser confundido com cicatriz
hipertrófica e quelóide , que são alterações da cicatrização
dependentes de características pessoais do paciente, com influência genética, independentemente
da técnica cirúrgica. Mesmo nestes casos, o cirurgião estará apto a
orientar e tratar a cicatriz através de diferentes técnicas, obtendo bom
resultado.
- 4- 6 meses até 12 – 18 meses: é nesta fase que se dá
o amadurecimento final e a cicatriz começa a “afinar” e mudar a coloração
(clareando e se tornando mais parecida com a pele adjacente). Geralmente após
este tempo a cicatriz assume o seu aspecto definitivo, bem como o resultado
final da cirurgia pode ser avaliado. No entanto a cicatrização é um processo
muito dinâmico e se continua indefinidamente, melhorando através de remodelação
com o passar dos anos.
Tempo de Cirurgia: a cirurgia dura em média 2 a 3 horas, dependendo de cada
caso e das áreas e estruturas totais a serem tratadas. O tempo de cirurgia, no
entanto, não deve ser confundido com o tempo que o paciente permanece no Centro
Cirúrgico, que inclui uma fase de preparação (marcação para a cirurgia),
anestesia, recuperação pós-anestésica, até a alta.
Anestesia: geralmente a cirurgia é feita sob anestesia peridural
(nas costas) e sedação conferida pelo anestesiologista e mais raramente com
anestesia geral com medicamentos de eliminação rápida que permitem alta no
mesmo dia da cirurgia, após a recuperação pós-anestésica.
Associação com outras Cirurgias e outros
Procedimentos: como
dito anteriormente, a abdominoplastia com cicatriz reduzida já implica
associação com lipoaspiração, sem. Em outros locais e com indicação precisa,
pequenas áreas podem ser lipoaspiradas ou eventualmente outras cirurgias e
procedimentos poderão ser feitos em conjunto, dependendo da avaliação
clínica e considerações técnicas específicas para cada caso, visando
sempre o menor risco possível para a (o) paciente.
Curativo: a (o) paciente sai da sala de cirurgia e recebe alta
com um curativo de faixas, e grandes compressas com gaze cobrindo a área
operada.
Este curativo será trocado em cinco dias, quando a paciente passa a molhar a
área operatório. No segundo dia de pós-operatório e colocada cinta elástica tipo collant. Esta
cinta deverá ser mantida continuamente por um período de um mês e por
meio período até 60 dias. Durante os primeiros dias pode haver a saída de um
líquido róseo das cicatrizes e você não deve se preocupar com isso. Com a
evolução técnica, hoje é muito menos frequente o aparecimento de seromas (líquido
róseo que se acumula no abdome e tem saída espontânea). Porém, se isto
ocorrer com você basta ter paciência e aguardar a evolução natural que sua
cirurgia não será em nada comprometida. Lembre-se que o resultado final da
cirurgia levará ainda mais algum tempo.
Dor: quando existe, geralmente é discreta e cede com
analgésicos comuns, sendo mais frequente nos primeiros dias. É um importante
parâmetro para indicar a necessidade de repouso relativo no início.
Banho: pode ser liberado após cinco a oito dias,
lavando a área com sabonete neutro e evitando esfregar demais as áreas com
pontos. Eventualmente a água pode tomar uma coloração rósea em virtude de
pequenos acúmulos de sangue coagulado (seco), mas isto não deve trazer nenhuma
preocupação, pois se trata de restos de sangue que devem ser eliminados.
Retirada de Pontos: cada ponto numa abdominoplastia cumpre uma
função específica. Eles serão retirados em etapas, entre 7 e 21 dias de
pós-operatório, ou não serão retirados em virtude de poderem ser utilizados
pontos absorvíveis. Os seus retornos deverão ser feitos em média com 5 a 7 dias, 3 semanas, dois
meses, quatro meses e seis meses.
Repouso: na abdominoplastia, um cuidado importante é
manter a área com pontos livre de tensão, principalmente nos primeiros dias.
Nas primeiras 48 horas é prudente manter um repouso maior. Ao deitar, coloque
um travesseiro sob os seus joelhos para que eles fiquem dobrados. O seu grau de
desconforto é um ótimo parâmetro para liberação de movimentos. Em quinze
dias você já poderá realizar caminhadas e após um mês a 45 dias poderá andar de
bicicleta, praticar exercícios leves, praticar natação, hidroginástica,
musculação e outros.
Sol: evite tomar sol enquanto houver equimoses (manhcas
roxas), pois elas podem pigmentar-se até de forma permanente. Mesmo após a
saída das manchas, proteja as cicatrizes do sol por um período de 3 meses – ou
aplique filtro solar (FPS 30) sobre elas.
Resultado final: dependendo do grau de edema (inchaço) que
ocorrer com você, logo no pós – operatório imediato, após a retirada do
curativo, já se pode ter uma idéia do resultado que será obtido. Porém,
lembre-se sempre que, de uma certa forma, o seu corpo foi agredido e vai levar
algum tempo para que ele possa se recuperar completamente. Assim, o resultado
final de qualquer cirurgia nunca pode ser avaliado antes da completa
cicatrização, ou seja, 6 meses a 1 ano. Nesta fase é importante ter
paciência e evitar a ansiedade de se querer um resultado imediato.
Lembre-se que você levou 9 meses para nascer! Evite se perturbar por
comentários de “amigas (os)” ou parentes que não foram esclarecidas (os)
como você sobre a cirurgia. Irregularidades, inchaço ou outras alterações podem
ocorrer e serão passageiras, bastando dar tempo ao tempo. Pequenas áreas de
insensibilidade, coceira e ardor também são muito comuns no início e se
surgirem dúvidas, converse com o seu cirurgião, que será a única pessoa capaz
de orientá-la (o) corretamente.
Tratamento adjuvante: no pós-operatório, você também
será assistido (a) por uma fisioterapeuta com especialização em estética que
auxiliará na diminuição do edema (inchaço), garantindo maior conforto na sua
recuperação por meio de drenagens linfáticas manuais.
Recidiva: de um modo geral, as modificações após a
cirurgia são permanentes e o resultado gratificante, conferindo um melhor
aspecto ao tronco, com grande benefício estético e psicológico, permitindo
rápida e melhor integração social. As pacientes
candidatas a esta cirurgia devem considerar que não haverá tração e nem melhora
da flacidez de pele supra-umbilical com este procedimento. Assim, se ela
desejar, deverá optar por uma das duas cirurgias que serão descritas a seguir
ou mesmo a anterior se houver pele redundante suficiente.
É
importante que a (o) paciente esteja bem esclarecida (o) acerca do
procedimento e o que ele pode oferecer, evitando falsas expectativas sobre o
resultado. O médico especialista é a pessoa mais indicada para esclarecer todas
as dúvidas de cada paciente, com informações específicas para cada caso,
inclusive por escrito.
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